O capacitismo é uma forma de discriminação e opressão contra pessoas com deficiência, baseada na ideia de que corpos e mentes que não seguem um padrão tido como “normal” são inferiores. Essa concepção atravessa a história da humanidade e se manifesta em diversas esferas sociais, incluindo o mercado de trabalho, a educação e o acesso a direitos fundamentais. O presente artigo tem como objetivo explicar o capacitismo, sua origem e evolução, analisando suas implicações sociais e políticas.
Origens Históricas do Capacitismo
A discriminação contra pessoas com deficiência remonta a períodos antigos. Em sociedades como a grega e a romana, a deficiência era frequentemente associada à punição divina ou à inutilidade social. Na Idade Média, a visão caritativa prevaleceu, com pessoas com deficiência sendo tratadas como objetos de compaixão, muitas vezes mantidas em condições de segregação.
Com a Revolução Industrial e o avanço do modelo biomédico no século XVIII, a deficiência passou a ser vista como um problema a ser corrigido. Esse período fortaleceu o modelo médico tradicional, no qual a deficiência era tratada exclusivamente como uma patologia. Essa concepção ainda é dominante em muitos setores da sociedade, perpetuando a exclusão e o capacitismo.

Capacitismo e Modelos de Deficiência
O capacitismo está diretamente relacionado aos modelos de compreensão da deficiência. Três modelos principais se destacam:
• Modelo Caritativo: Enxerga a pessoa com deficiência como um sujeito passivo e digno de piedade, necessitando de assistência e ajuda.
• Modelo Médico: Foca na deficiência como um problema individual que deve ser tratado ou corrigido através da medicina e da reabilitação.
• Modelo Social: Propõe que a deficiência não é um problema do indivíduo, mas sim do ambiente que impõe barreiras e limitações. Esse modelo defende que a sociedade deve eliminar barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais para garantir a inclusão plena.
Capacitismo na Educação
O capacitismo se evidencia de maneira expressiva no contexto educacional, onde a falta de acessibilidade e metodologias pedagógicas inadequadas representam barreiras significativas. Muitas instituições de ensino ainda demonstram resistência em adotar práticas inclusivas, comprometendo a efetiva participação de estudantes e docentes com deficiência.
A presença de docentes com deficiência nas universidades, por exemplo, ainda é rara, refletindo os desafios impostos pela sociedade e pela estrutura acadêmica. A falta de adaptação nos materiais didáticos, a ausência de tecnologia assistiva e a limitação no acesso a espaços físicos adequados são obstáculos frequentes que dificultam tanto o aprendizado quanto a atuação profissional dessas pessoas no ensino superior.
Além disso, o capacitismo pode ser observado em atitudes e práticas discriminatórias dentro do ambiente educacional. Estudantes com deficiência muitas vezes são subestimados em relação à sua capacidade de aprendizado, enquanto docentes com deficiência podem enfrentar dúvidas quanto à sua competência para exercer a profissão. A implementação de políticas inclusivas eficazes é essencial para garantir uma educação acessível e equitativa para todos.

Conclusão
O capacitismo é um problema estrutural que se manifesta de diferentes formas na sociedade. Compreender sua história e seus impactos é essencial para construir um futuro mais inclusivo. A adoção de políticas públicas eficazes, aliada ao fortalecimento de movimentos sociais e à representatividade, é um caminho necessário para combater essa forma de discriminação e garantir que todas as pessoas possam exercer seus direitos plenamente.
Referência
Bonifácio, L. K. F. de O. (2021). Percepções de mulheres docentes com deficiência: Condições para exercer a profissão em uma universidade pública [Trabalho de conclusão de curso, Universidade Federal da Paraíba].
Autor do post:
Laryssa Bonifácio – Pedagoga, Psicopedagoga Clínica e Institucional e Coordenadora ABA da Clínica Incentivo
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