De inimiga a aliada: Transformando a tecnologia em uma parceira no ensino de novas habilidades

1. Aplicativos de Comunicação Alternativa (CAA)

Um dos maiores benefícios da tecnologia para crianças autistas está nos aplicativos de Comunicação Alternativa e Aumentativa de Alta tecnoligia (CAA). Para aquelas que não se comunicam vocalmente ou que possuem dificuldades na fala, aplicativos como o PECSTALK, LetMeTalk e Expressia permitem que realizem pedidos e façam comentários por meio de figuras e símbolos. Esse tipo de ferramenta diminui o custo de resposta de comunicação, favorece pedidos realizados adequadamente e otimiza tempo e organização ao substituir as antigas pranchas plastificadas por pastas que podem ser atualizadas ou modificadas em tempo real.

 

2. YouTube e vídeos educativos para estimular a linguagem

A tecnologia também pode ser usada para estimular a linguagem por meio de vídeos educativos e modelos de conversação. No YouTube, há canais que apresentam, por exemplo, cenas de diálogos naturais entre personagens, ajudando crianças a observarem e entenderem diferentes formas de interação. Alguns canais recomendados incluem:

“Mundo Bita” – Trabalha vocabulário e musicalização de forma lúdica.

 “Turma da Mônica” – Diálogos naturais que servem de modelo para interação social. 

“Blippi” – Explica conceitos de forma didática, ajudando na aquisição de novos vocabulários.

Vídeos que mostram cumprimentos, trocas de turnos na conversa e expressões faciais correspondentes às emoções podem servir como modelos visuais para o desenvolvimento de habilidades sociais. Quando o conteúdo é adequado à idade e ao nível de compreensão da criança, a exposição supervisionada pode ser benéfica.

3. Jogos e aplicativos para ensinar habilidades básicas

Os aplicativos e jogos educativos oferecem oportunidades para ensinar habilidades como associação de estímulos, reconhecimento de emoções e até mesmo atividades de vida diária. Algumas opções incluem:

> ABA Flashcards & Games (iOS e Android) – Traz jogos que ajudam na nomeação de objetos, cores e emoções.

> Khan Academy Kids – Jogos interativos para alfabetização e raciocínio lógico.

> Wordwall – Criação e adaptação de atividades para ensino de habilidades como associação, discriminação visual e etc.

Além disso, sites como o PBS Kids (pbskids.org) oferecem jogos gratuitos que trabalham habilidades cognitivas e socioemocionais de forma divertida. 

4. Aplicativos de pintura e desenho digital

Atividades artísticas são uma excelente forma de estimular criatividade e exercitar a coordenação motora. Aplicativos de pintura digital podem ser uma ótima alternativa para crianças que se interessam por cores e desenhos. Algumas boas opções incluem:

> Tayasui Sketches – Simples e intuitivo, permite que a criança desenhe livremente.

> Draw it – Incentiva a criatividade com desafios rápidos de desenho.

> Colorfy – Livro de colorir digital com diversas ilustrações.

> Paint for Kids – Ferramentas básicas para os pequenos explorarem a pintura digital.

 

5. Equilibrando o tempo de tela

É essencial lembrar que o equilíbrio é fundamental. O uso excessivo da tecnologia pode ser prejudicial, especialmente se substituir atividades presenciais. No entanto, em vez de demonizar as telas, podemos estabelecer um tempo de qualidade tanto dentro quanto fora delas. Criar uma rotina equilibrada, alternando momentos de brincadeiras ao ar livre com atividades digitais direcionadas, garante que a tecnologia seja uma aliada no desenvolvimento infantil, e não uma inimiga.

 

Referencias:

GANZ, Jennifer B. et al. Impacto do aplicativo de computador tablet PECS na identificação receptiva de imagens dado um estímulo verbal. Developmental neurorehabilitation , v. 18, n. 2, p. 82-87, 2015.

SOARES, Adriana Benevides et al. As habilidades sociais dos personagens da Turma da Mônica. Educação: Teoria e Prática, v. 33, n. 66, 2023.

DE SOUSA, Kelly Esteves et al. Modelação em vídeo e intervenção mediada por pares para promover interações sociais de alunos com Transtorno do Espectro Autista. Acta Comportamentalia, v. 26, n. 2, 2018.

 Autor do post:

 Me. Amanda de Oliveira – Psicóloga (CRP: 13/9360), Pós Graduada em Clínica Analítico Comportamental, mestre em Psicologia Social. 

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